Colunista: Homero Hugo Roxo Goulart
Farmacêutico Especialista em Análises Clínicas e Bioquímica de Alimentos, pela UFRGS Chefe do Setor de Quimioterapia do Hospital Militar de Área de Porto Alegre/RS MBA Auditoria em Saúde FATEC/FACINTER

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Humanização em Saúde

Há alguns anos, quando o assunto humanização chegou aos serviços de saúde, a reação dos profissionais de saúde foi variada. Algumas pessoas (que já desenvolviam ações humanizadoras) sentiram-se finalmente reconhecidas e encontraram ainda mais motivação, mas a maioria (que não fazia a mínima ideia do que se tratava) reagiu sem dar muita importância. Humanizar os serviços soava como um insulto.

Entretanto, tão logo se começava a discutir a humanização como o processo de construção de uma ética relacional que recuperava valores humanísticos esquecidos pelo cotidiano institucional ora acelerado, ora desvitalizado, ficava claro a importância de trazer tal discussão para o campo da saúde. Humanizar entra em cena como uma garantia do sensibiliza r com uso da linguagem, toque, olhar, palavra e encontro com o outro e a sua dignidade ética. Então onde entra a palavra e o encontro com o outro? Para que o sentimento humano, as percepções de dor ou de prazer sejam humanizadas, é preciso que as palavras que o sujeito expressa sejam reconhecidas pelo outro. A humanização depende de nossa capacidade de falar e de ouvir, depende do diálogo com nossos semelhantes. Humanizar a assistência à saúde é dar lugar não só à palavra do usuário como também à palavra do profissional de saúde, de forma que tanto um quanto outro possam fazer parte de uma rede de diálogo.

A humanização em saúde é resgatar o respeito à vida humana, levando-se em conta as circunstâncias sociais, éticas, educacionais e psíquicas em todo relacionamento humano. É a través do corpo que a pessoa se sente fragilizada, pois a doença instala o estresse, os próprios valores são questionados, a finitude da vida, e novas situações se apresentam à frente, por vezes agravando problemas anteriores ao evento “hospitalização”, enquanto situação nova e às vezes inusitada para o indivíduo, mostrando o momento de crise em que a doença revela e alimenta a fragilização do ser humano. Neste contexto a afetividade, mostra-se no ser gentil, amável, sorridente, compreensível, respeitoso e que demonstra consideração pelo outro. O tocar o ombro ou as mãos de quem está precisando de ajuda é um ato intuitivo e multicultural. E embora não se resuma a um mero contato físico, é parte ativa do cuidado emocional. Sabemos o quanto isso é importante em nosso dia a dia.

Muitos estudos têm mostrado que o paciente bem informado tende a se sentir mais seguro e colaborar no processo de cuidar. Isso implica que o profissional de saúde lhe passe informações corretas e seguras sobre seu tratamento e sobre os procedimentos e exames a que será submetido por exemplo. Em caso de internação, a família também deve ser esclarecida sobre os acontecimentos de modo a se sentir menos angustiada e ansiosa, a compreender bem a situação real e prestar o necessário apoio ao parente doente e a equipe cuidadora. O cuidar implica um processo cuja meta principal não é a cura, mas uma ação que explore procedimentos técnicos e conhecimentos, englobando atitudes e comportamentos que busquem o alívio do sofrimento, a manutenção da dignidade e a facilidade de meios para manejar situações de crise e experiências liga das à vida e a morte. Assim, o cuidar supera um ato, uma ação mecânica ou automatizada, sendo, portanto, mais caracterizado por uma atitude.Vale lembrar que quem ama cuida, preocupa-se e se envolve afetivamente como o outro, porque consegue ver no outro uma vida que não se resumo somente no corpo.

Diante de tudo isso, a emoção é aquilo que mexe com o coração e, quando esquecemos das mensagens do coração, acabamos por nos aprisionar a um sistema muito materialista e por esquecer nossa perspectiva maior, desviando nossos caminhos. De qualquer modo, humanizar a relação com a pessoa doente exige que o profissional de saúde valorize a afetividade e a sensibilidade enquanto elementos necessários do cuidado, caracterizando um encontro entre pessoas que podem compartilhar saberes, poderes e experiências vividas, em um processo construtivo de relação sau dável. 

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