Colunista: Homero Hugo Roxo Goulart
Farmacêutico Especialista em Análises Clínicas e Bioquímica de Alimentos, pela UFRGS Chefe do Setor de Quimioterapia do Hospital Militar de Área de Porto Alegre/RS MBA Auditoria em Saúde FATEC/FACINTER

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Câncer – vivências num setor de quimioterapia

Trabalhando na área de oncologia, como farmacêutico-chefe do setor de quimioterapia, por um período de quase 20 anos, a experiência foi válida, muitas vezes vencendo a doença e outras, sendo vencido por ela!  Isso muitas vezes influenciava o ambiente de trabalho, seja estimulando, ou às vezes deprimindo a equipe multidisciplinar do setor (Médico, Enfermeiro, Farmacêutico, Psicólogo, Dentista, Capelão, Terapeuta Ocupacional, Nutricionista, Assistente Social,Fisioterapeuta, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem). Trabalho árduo porque vida e mortes andam próximas, perdas e ganhos era rotina! Motivo que justificava areunião da equipe multidisciplinar com a Psicologia, com o propósito: “Quem cuida do cuidador?”. Cada dia uma nova e emocionante história de nossos pacientes e familiares, pois o Câncer e seu tratamento exercem grandes influências nestas pessoas. O menino de 16 anos, no seu primeiro de quimioterapia, acompanhado pelos pais, emocionou a todos! Porém, desta vez vencemos a batalha! Fui procurado tempo depois pelos pais do mesmo,radiantes e gratos relatando que o menino de 16 anos na época, hoje é um pai de família exemplare um ótimo profissional no Exército Brasileiro. A paciente fragilizada, que antes da primeira sessão de quimioterapia já raspou os cabelos e, muitas vezes chorava compulsivamente, sem se importar com nossa presença respeitosa, ética e solidária!   Pacientes que as sessões dequimioterapia os aproximou e se tornaram companheiros até o fim, mas felizes! A gratidão da vitória sobre a doença se expressava de diversas maneiras, todas com muito carinho, muito afeto e motivo de muita alegria! Vencer um câncer é muito bom! Sentimentos como raiva, depressão, ansiedade, medo, preocupações, angústias, negação e agressividade são comuns entre os pacientes com câncer. Cada membro da equipe procura dentro de sua área evitar e aliviar o sofrimento proporcionandouma melhor qualidade de vida para os pacientes e suas famílias. Quando necessário a Enfermagem Paliativa provia os pacientes em suas semanas ou meses finais de vida, realizando o trabalho na instituição ou na casa do paciente (home care). Podemos enumerar muitos fatores difíceis aos profissionais envolvidos como: conviver com o sofrimento do doente, suas inúmeras internações, a impotência diante da doença, a revolta pela sua morte, a falta de conhecimento e sobrecarga de trabalho. Porém, nesse cotidiano há fatores gratificantes como: ver o paciente recuperar-se, ter contato com ele, ajudá-lo a conhecer a doença e orientá-lo. Neste cuidado integral ao paciente a interdisciplinaridade requer não apenas ordem técnica e científica, mas também apresenta natureza filosófica, moral, política, econômica e social. O fortalecimento da esperança é sempre mais notório naqueles pacientes e familiares, que frequentam um Grupo de Apoio e que conseguem falar sobre seus sentimentos até mesmo com amigos. Muitos relatam que conversam com seu mentor espiritual absorvendo suas atitudes e palavras encorajadoras! Portanto, diante de um diagnóstico de câncer é fundamental a busca da informação seja com seu médico, com a equipe multidisciplinar, outros pacientes,familiares, sites, livros e revistas. Essas informações trarão mais segurança,preparando o paciente para esta nova fase da vida. O objetivo de toda instituição que adota esta conduta é no sentidode obter melhores resultados, de maneira que o paciente possa retornar às suas atividades com  o mínimo possível de traumas e sequelas.

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