Colunista: Maria Izabel Scalco
Escritora e Palestrante

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PATRIMÔNIO CULTURAL – APROXIMAÇÕES SOBRE A NOSSA COZINHA

Sob nosso olhar, entende-se  Patrimônio Cultural todos aqueles lugares e coisas   de origens   sociais, espaço, privilegiado de comemorações e conflitos que povoam, habitam e constituem as  memórias coletivas. Daí   encaramos  de perto a importância da identificação de campos de manifestações simbólicas, fundamentais para a construção da identidade social entendida como múltipla e até mesmo  contraditória em diversos aspectos, contudo unitária em outros. O patrimônio por não ser exclusividade de ninguém  é  possuidor de múltiplas falas e experiências, ao não pertencer a um grupo exclusivo, mas ao coletivo  da sociedade. Isto justifica a busca de uma ampliação permanente da noção de preservação e salvaguarda, possibilitando que o patrimônio seja apropriado por diferentes  grupos, lhes dando usos, permitindo que outros grupos, que não os pertencentes às instituições hegemônicas, preservem suas identidades e poderes a partir da identificação de seus próprios  patrimônios.

Nesta  atual perspectiva, vem ganhando importância o chamado Patrimônio Imaterial, marcado por manifestações, saberes, formas de expressão, celebrações e lugares. Entre os quais poderíamos citar  uma infindável listagem músicas, celebrações, toques,  rituais e ritos estão entre os classificados. Sabe-se hoje  que  o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional - IPHAN, a partir do Decreto 3.551 de 4 de agosto de 2000, institui o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial. Entenda-se aqui  registro e salvaguarda, e não de tombamento e preservação, considerando as características próprias destes bens, vinculados à perspectiva cultural,e assim estando em constante movimento.

Salienta-se que a  gastronomia possibilita ainda um vinculo identitário, podendo estar próxima a outros elementos, como festas eventos  e comemorações. Outro elemento que demonstra a proximidade entre os conceitos de Gastronomia e de Patrimônio Cultural é a origem de ambos: apesar de já utilizado na antiguidade, o termo Gastronomia é retomado no século XVIII, por Brellat Savarin,  que o entende como o conhecimento do homem a medida que ele se alimenta. Assim como os bens culturaismateriais, também a Gastronomia será pensada como estratégia de consolidação de uma identidade nacional como  neste caso. No livro,  A Emergência das Cozinhas Regionais”, de Julia Csergo, a autora demonstra a importância da valorização de uma diversidade regional como elemento de constituição identitária, com destaque para a cozinha.

Apenas a partir da década de oitenta,  do século XX é que foi admitido o fato de o Brasil possuir uma cozinha própria, marcada por elementos únicos e, ao mesmo tempo, por uma diversidade regional singular. Foi  também em  fins dos século passado que se admitiu  o vínculo entre alimentação e Patrimônio Cultural, pelo  Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN registrando, como

Bem Cultural Imaterial, o Ofício das Paneleiras de Goiabeiras (Goiás), no ano de 2002, seguidos pelo Ofício das Baianas de Acarajé (Bahia), em 2005, e o Modo artesanal de fazer Queijo de Minas, nas regiões do Serro e das serras da Canastra e do Salitre (Minas Gerais), em 2008, reforçando a importância dos aspectos regionais na constituição de uma identidade nacional (IPHAN, 2011).

Vejam que quando se trata de assuntos ligados ao patrimônio cultural devemos estar preparados para a um caminhar demorado e pedregoso.Mas não se pode negar ser compensador...

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