Perfil: Paulo Renan Baglioni Ramos

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Muito me honra poder falar um pouco sobre minha experiência aqui em "Down Under" ou "la embaixo", como os australianos carinhosamente se referem a terra deles. Tudo começou com a ideia de vir para ca como rotariano, pois assim eu poderia viver um verdadeiro intercâmbio cultural com australianos. As portas da Australia se abriram graças ao Rotary Club Sao Borja, do qual orgulhosamente faço parte. Tendo em vista que o objetivo seria aprender sobre o pais e mostrar um pouco do Brasil tenho feito apresentações especificamente sobre a cultura gaúcha aqui, e sem duvidas e sucesso absoluto. Mesmo com toda a riqueza cultural da Asia e do mundo aqui, eu ainda consigo impressionar eles com nossa cultura. A tradição gaúcha e sucesso absoluto por aqui e todo mundo se encanta.

 

Quem diria que um continente isolado do mundo, e que começou como uma colonia penal inglesa chegaria a esse nível de progresso. Quando os Estados Unidos começaram a se revoltar contra a coroa inglesa e os indícios de que a independência estava proxima os ingleses decidiram voltar os olhos para um pedaço esquecido do globo. Tendo em vista que a população carceraria não parava de crescer no pais, e não parecia interessante investir na construção de presidios eles tiveram a brilhante ideia: “por que não mandar prisioneiros para colonizar a austrália?”. Foi assim que a ambição britânica tomou forma: alguns prisioneiros viriam pra ca cumprir pena, e se fossem bons trabalhadores poderiam ser recompensados com terras e ajuda do governo. Pois o seguinte relato trata do fascinante pais que eles conseguiram construir a duras penas, mesmo estando isolados e vivendo num continente escasso em agua, 70% deserto, e menos de 10% de terras habitaveis.

 

"Sorry (me desculpa)" e "thank you (obrigado)" são duas expressões que definem pra mim o que é a Austrália. Tudo é motivo para pedir desculpas. Um dia desses eu estava conversando com um australiano na rua e sem querer movi o braço e encostei de leve em outra pessoa. Automaticamente falei o "Sorry". O australiano então comentou "viu só, tu já te tornaste um australiano". Ao mesmo tempo tudo é motivo para dizer obrigado. Ao motorista do ônibus, ao caixa do supermercado, ao garçom, enfim, toda ação que alguem prática em favor de outra pessoa vai ser seguida de um "thank you". A gentileza das pessoas aqui impressiona no começo. Qualquer um vai parar o que está fazendo pra te ajudar da melhor maneira possível. Cartão de débito não tem senha para gastos até 100 dólares, basta encostar no terminal. No supermercado até existe caixa, mas  normalmente utiliza-se o self-service onde a pessoa escaneia as compras, empacota, paga e vai embora. Sim, sem ninguém pra fiscalizar. Se está escrito 18:00 na parada do ônibus pode acreditar: as 18:00 ele estará ali.  Todo mundo já ouviu falar sobre canguru ou "kangaroo", mas sobre os "wallabies" acredito que não (pelo menos eu desconhecia). Parece um canguru, mas não é, e são tao abundantes quanto o primeiro.

 

O primeiro choque cultural que levei aqui foi quando fui comentar (tirando sarro, claro) com minha "mae" australiana sobre as pobres crianças vestidas de terno e chapéu como uniforme escolar. Comentei que era ridículo forçar uma criança a vestir terno pra ir para a escola. Foi aí que ela mudou o tom e me disse "Isso tem um motivo. É pra que elas saibam desde cedo que a escola é algo sério, e que elas estão indo para lá com um objetivo. Que elas cresçam sabendo que tem que ser responsáveis agora, assim como serão exigidas no futuro".

 

Tabelião ? Cartório ? Aqui não.  Qualquer pessoa pode se apresentar perante um juiz, fazer um juramento e se tornar uma espécie de notário leigo. Isso sem mencionar que determinados profissionais, a citar farmacêutico, dentista, enfermeiro, psicólogo, por exemplo, nem precisam fazer juramento. Cópia autenticada, reconhecimento de firma, enfim, a maioria dos serviços de cartório são totalmente gratuitos e prestados por essas pessoas.

 

Não posso deixar de mencionar o incrível senso de humor australiano. Tudo aqui tem um toque de humor. Recentemente o governo lançou a última balsa da frota que percorre o porto de Sydney e a nomearam "Ferry Mcferryface" que seria algo parecido com "Balsa filha da cara-de-balsa". Particularmente não achei graça, mas eles acham hilário. Pois se até o governo se diverte com coisa séria imaginem como é na vida privada. Também tenho que citar a amabilidade dos australianos e como é fácil fazer amizades aqui. Posso dizer que me sinto em casa e que dividimos com eles mais do que as cores nacionais, pois também a paixão pela vida e bom humor no dia-a-dia.

 

Sydney é linda e o povo é extremamente receptivo. Tenho que confessar que achei que ficaria impressionado com a Opera House, mas quem me segue no Instagram sabe que minha paixão aqui e a monumental Harbour Bridge, e hoje entendo porque os habitantes da cidade amam tanto essa incrível ponte (ou talvez seja porque sinto saudade da nossa ponte internacional).

 

O multiculturalismo transformou essa cidade em um mini planeta terra, com culturas do mundo todo. Ja experimentei comida indiana, tailandesa, Malásia, chinesa, japonesa, filipina, vietnamita, sem citar todas. Ja fiz amizade com pessoas da Macedonia, Japão, Filipinas, Russia, Polonia, Espanha, Italia, Colombia, Chile, Nepal, dentre vários outros países. Tudo isso sem sair de Sydney!

Por fim, preciso mencionar a sensação de segurança. Recem agora após três meses morando aqui estou acostumado com os carros estacionados na rua a noite toda. Casas sem grades e destrancadas o tempo todo. Gente usando laptop as 11 horas da noite no meio da rua. Nenhuma preocupação em ter o celular roubado ou ser ameaçado com uma arma (que por sinal são quase inexistentes aqui). Certo que a Australia tem seus problemas, mas sem duvidas e um modelo a ser seguido. De alguma forma, mesmo sendo uma ilha-continente separada do resto do mundo, conseguiu encontrar o caminho do progresso. E, honestamente, espero que um dia nosso pais também consiga.


Paulo Renan Baglioni Ramos

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